Alinhadores sem “glamour”

Hoje nosso blog dedica-se àqueles que procuram conhecer algumas alternativas para a utilização trivial de alinhadores estéticos na clínica ortodôntica.

Na contramão do agressivo cenário mercantilista liderado por vultuosas empresas, surgem oportunidades interessantes para Ortodontistas clínicos focados em resultados e dispostos a participar ativamente do processo de confecção dos alinhadores.

Exatamente como eu tinha falado no blog anterior, trata-se de usar os alinhadores estéticos sem glamour, enfatizando o movimento dentário, as mecânicas desejadas e as etapas laboratoriais para a confecção destes dispositivos.

Antes de começar a falar sobre o assunto, gostaria de deixar claro que eu não tenho nenhum conflito de interesses com quaisquer empresas, ou seja, não estou ganhando um centavo para escrever esse blog. Dito isso, podemos prosseguir.

Talvez a ideia principal por trás destas novas possobilidades clínicas seja a “segmentação de serviços”, havendo uma mudança drástica no papel do ortodontista sobre o processo de obtenção dos alinhadores estéticos. Em outras palavras, o profissional deixa de ser um mero espectador, com limitada atuação sobre o set-up virtual, passando a protagonizar o processo de confecção destes dispositivos.

Para que isso seja possível, tem-se observado uma tendência mundial do surgimento de “laboratórios virtuais”. Estes laboratórios têm oferecido  serviços que representam diferentes estágios da confecção dos alinhadores estéticos (Figura 1). Ou seja, o profissional escolhe em qual momento do processo ele quer assumir a confecção dos alinhadores. 

Por exemplo, considerando o cenário de um consultório típico brasileiro, que não tem scanner,  software para movimentação dentária, ou se quer uma impressora 3D . Nesses casos, o ortodontista ainda poderia assumir o processo da confecção de alinhadores antes da termoformagem das placas. Além da substancial redução de custos, também poder-se-ia escolher o material de termoformagem (optando-se por algo um pouco melhor do que o acetato, por exemplo). Nesse caso, basta termos uma termoformadora à vácuo ou por pressão positiva. . . .   Já se considerarmos outros cenários, onde o ortodontista tem acesso a um scanner e a um software odontológico para movimentos dentários, então seria necessário que o laboratório virtual provesse apenas a impressão de modelos e a termoformagem das placas. Enfim, todo processo torna-se customizado. Não parece interessante? Ou pelo menos um pouco mais racional do que ficar comprando o “pacote completo” e aí colocar uma medalha no peito por utilizar a empresa número 1 do mercado?

Figura 1 – Open Aligner System.

Por outro lado, já existem empresas, como a Smile Direct Club e a Straight Teeth Direct, que subtraem totalmente o ortodontista clínico do tratamento  com alinhadores estéticos. É isso mesmo, tais empresas têm vendido estes aparelhos diretamente para o público geral. Enfim, uma demonstração clara da pouca importância dada aos aspectos biológicos associados ao movimento dentário (isso é bobagem, né). Infelizmente, o pior ainda pode estar por vir. Talvez muitos não saibam, mas uma das grandes responsáveis por este mercado paralelo, que me parece um tanto irresponsável, é a própria Align Technology :/ , empresa que provê os alinhadores à Smile Direct Club.

Enfim, o futuro é incerto, especialmente se considerarmos que as atitudes de grandes empresas  são ditadas meramente por aspectos  financeiros. Apesar deste ser um tema de constante preocupação, creio que nossa maior virtude esteja na possibilidade de protagonizar o tratamento ortodôntico como um todo. No fim das contas, coloquemos os pés no chão: o atual e glamoroso uso de alinhadores é sustentado por cifras$ exorbitante$. . . .mas na verdade, estes não passam de uma mecânica ortodôntica com eficácia limitada. . . .

Novos tempos virão. . . .aperte os cintos, adapte-se e, principalmente, seja crítico, não se deixe enganar 😉

Um abraço a todos(as)!

 

Gabriel.

gabriel@dolcibraghini.com.br