Alinhadores Estéticos in-office

Em tempos de Ortodontia digital, sempre é hora de se falar em alinhadores estéticos, não é mesmo?

A cada dia, cresce o número de empresas oferecendo diversos serviços e produtos nessa área. Só no Rio Grande do Sul, tenho conhecimento de três empresas, sendo que duas delas surgiram nos últimos 12 meses . . . .

A explicação para este fenômeno parece ser simples: não há nenhum mistério para a confecção destes dispositivos in-office (em seu consultório). Obviamente, isso necessitará inicialmente de investimento (financeiro) e, principalmente, de envolvimento (para desempenhar bem todas as etapas do fluxo de trabalho). Mas é totalmente viável. Basicamente, para a confecção in-office dos alinhadores, teremos que seguir as seguintes etapas:

    1. Moldagem (preferencialmente com silicona) e modelagem (com gesso especial);
    2. Escaneamento intra-oral ou dos modelos (se você tiver um escaner ou se você puder encaminhar o paciente para um centro radiológico que faça tal escaneamento, então não será necessária a etapa 1 – moldagem e modelagem);
    3. Plano de tratamento – definir a complexidade do caso e a possível utilização de alinhadores estéticos;
    4. Manipulação das imagens em software especializado. Aqui, resumidamente, faz-se o VTO – Virtual Treatment Objectives, onde estabelece-se a posição final desejada para os dentes. Após, definem-se os limites do movimento dentário desejado a cada etapa de alinhamento, ou seja, quanto os dentes irão se movimentar a cada troca de alinhador. Após, baseado nesses limites, o software irá gerar uma sequencia lógica de modelos, desde o inicial (escaneamento inicial) até o final (definido pelo VTO). Ainda, de acordo com o tipo de movimento dentário desejado, poderão ser incluídos attachments nos dentes do modelo inicial, o que facilita a aplicação de forças binárias e abre um grande leque de possibilidades para o movimento dentário. Salienta-se que nessa etapa é necessário um bom software, e quanto a isso, parecem existir vários no mercado;
    5. Aprovação do plano de tratamento e VTO por parte do paciente. Vale salientar que, na prática, dificilmente a condição clínica evoluirá fielmente ao demonstrado nas imagens virtuais;
    6. Impressão 3D dos Modelos sequenciais (desde o inicial, o qual pode ser impresso já com os attachments), até o final;
    7. Termoformagem das placas – Dois aspectos devem ser analisados:
      • Equipamento para termoformagem – o ideal seria usar um equipamento de pressão positiva, como por exemplo a MiniStar, da Scheu Dental (assim padroniza-se o tempo de aquecimento e temperatura das placas). Mas a P7 da BioArt, que atua por pressão negativa (vácuo), também é uma boa opção (nesse caso sugiro que se use um cronômetro para padronizar o tempo de aquecimento das placas);
      • Material usado – bem, aqui o furo é mais embaixo. . . . vou fazer um blog só sobre isso, porque tem muita variável no meio. . . .Basicamente, as placas poderão ser de acetato (DHPro) ou PET-G (Leone ou Erkodent) e as espessuras poderão variar, por exemplo, de 0.5 – 1mm.

Só pra finalizar, considerando o tópico “alinhadores estéticos”, não posso deixar de citar a marca que abocanha a maior parte do mercado brasileiro e mundial: o pioneiro Invisalign. Vejo muitos dizerem que este é o melhor sistema de alinhadores, e parecem existir diversas razões contundentes para isso: a superioridade do material utilizado para a confecção dos alinhadores, o Clincheck (software que permite a atuação do ortodontista sobre o plano de tratamento e refinamento dos casos – apesar dessa ser uma atuação irrisória, quando comparado à confecção in-office), investimento em pesquisa e tecnologia por parte da empresa e, certamente, Marketing, muito Marketing. . . .bem ao estilo U$A.

Na minha opinião pessoal, não tenho esta convicção de que o Invisalign seja melhor do que outros sistemas de alinhadores, tais como o Clarity (3M) ClearAligner (Scheu-Dental), Orthoaligner (Compass 3D) ou Originator (TP Orthodontics), por exemplo. Não creio que a literatura seja categórica quanto a isso. . .  enfim, acho essa afirmação de que o Invisalign é “o melhor sistema de alinhadores”, um tanto especulativa e comercial. Por outro lado, deve-se ressaltar que existem muito sistemas de alinhadores “amadores”, que parecem ter um reduzido investimento em pesquisa e desenvolvimento, especialmente no mercado brasileiro. Na realidade, considero que a melhor técnica é aquela que você tem um controle total do processo e, nesse sentido, a confecção dos alinhadores in-office dá de 10 em qualquer sistema que você compre o alinhador final.

Bem, no próximo blog, iremos abordar algumas alternativas bem atuais ofertadas pelo mercado, para aqueles que desejam utilizar os alinhadores estéticos com mais autonomia e a um preço bem justo. Em outras palavras, o próximo blog trará alternativas para que você use alinhadores sem muito glamour, assim evidenciando que esta técnica deve ser vista como mais uma alternativa mecânica; a qual permite a obtenção de excelentes resultados clínicos.

Afinal, é justamente isso que buscamos – controle  e resultado!

 

Um abraço a todos(as)!

 

Gabriel.

gabriel@dolcibraghini.com.br