Um caminho sem volta . . .

Creio que com duas palavras eu poderia sintetizar o que vislumbro como o futuro  da Ortodontia. Primeiramente, vou citar a palavra “Biologia”, e como vocês sabem, esse é um tópico que me interessa muito, já que estudei por 4 anos alguns aspectos da biologia da movimentação ortodôntica. Àqueles interessados no assunto, peço que leiam os blogs anteriores.

A segunda palavra, que creio ser protagonista dessa “Nova Era” odontológica, é a palavra “Digital”. Nos dias de hoje, posso dizer esse tem sido o meu principal foco de estudo. Não que eu tenha desistido de estudar biologia, muito menos que eu ache que já tenha conhecimento biológico suficiente  para um ortodontista clínico. O fato é que algumas tecnologias digitais tem mudado o rumo da Ortodontia Contemporânea, e tudo isso está ocorrendo de forma muito rápida e definitiva. Ou seja, que não acompanhar essa realidade, ficará para trás. . . .

Como um dos grandes divisores de águas da Ortodontia Moderna, talvez eu deva começar falando sobre o escaneamento da arcada dentária.  . . Mas precisamos estar cientes que este é só o começo, é só a ponta do iceberg. . . . Com base nos conhecimentos atuais,  após o escaneamento, o ortodontista já é capaz de manipular os modelos digitais, movimentar dentes, colar bráquetes virtuais (por vestibular e/ou lingual), fazer contenções virtuais. . . .

Obviamente, pra para realizar esses procedimentos utilizam-se softwares especificamente desenvolvidos para isso, tais como o OnyxCeph (http://onyxceph.com) ou o OrthoStudio/Maestro 3D (http://www.maestro3d.com). Estou citando esses dois porque são eles que eu tenho trabalhado, mas existe uma vasta gama deles. Aliás, já existem relatos na literatura de tratamentos ortodônticos realizados com o auxílio de softwares livres, tais como o Meshmixer. Contudo, vale salientar que estes últimos não são específicos para Ortodontia, o que pode tornar o seu uso um tanto impreciso.

Basicamente, as aplicabilidades clínicas destes softwares ortodônticos são diversas, tais como o setup digital, a confecção de moldeiras para colagem indireta, a confecção de placas miorrelaxantes, a confecção de contenções fixas (barras 3-3, por exemplo), o VTO (Virtual Treatment Objectives) e, principalmente, o auxílio para confecção de alinhadores estéticos.

Por outro lado, devemos estar preparados para uma intensa curva de aprendizado, em outras palavras, não é fácil trocar as dobras de fios realizadas em laboratório pela manipulação de imagens em softwares :/  Mas depois as coisas vão ficando mais tranquilas, paulatinamente. . . Nesse sentido, uma grande dúvida que ainda persiste é: Será que este tipo de serviço digital será feito no nosso próprio consultório? Será que eu estou disposto a dispender meu tempo para manipular modelos em um software?  Ou será que é melhor (e mais fácil) terceirizar tal serviço?

Pessoalmente, tendo a arguir que a terceirização parece representar um descomprometimento com os meios usados para obter a almejada oclusão ideal.  Confesso que ainda tenho dificuldades para aceitar essa perspectiva, afinal, ao meu ver, a virtude também está no meio e não somente no fim (“in medio virtus”). Digo isso por vários motivos, mas um dos que mais me preocupa, por exemplo, são os casos de pacientes periodontais.  Nessas situações, quando trabalhamos com o aparelho fixo, tomamos uma série de cuidados para exigir o mínimo do periodonto (forças leves e intermitentes, direção do movimento planejado, liberação de interferências oclusais. . . ). A verdade é que todas essas considerações são cruciais, de forma que também deveriam ser consideradas nos tratamentos com alinhadores. Ou seja, precisamos individualizar os limites de movimentos dentários permitidos para cada dente, a cada etapa do tratamento, a cada troca de alinhador. Mas sem o controle do “meio”, sem o planejamento, tudo me parece mais automático, menos pessoal e, principalmente, menos comprometido. Por isso, ainda tendo a crer que o ortodontista deveria ter o controle total do caso, desde o seu planejamento até a sua finalização. Obviamente, todo este raciocínio só é válido para ortodontistas competentes, que gastam tempo e ATP em cima de cada caso clínico que está sob a sua tutela. Àqueles que não se preocupam em planejar, talvez a terceirização ainda possa representar a mais plausível das opções.

Para os interessados, peço que deem uma olhada nos sites softwares ortodônticos citados anteriormente, (OrthoStudio/Maestro 3D e OnyxCeph). Vocês poderão solicitar uma free trial e testa-los à vontade. Não vou falar sobre as minhas preferências pessoais, sugiro que vocês mesmo vejam e formem uma opinião. Se quiserem ou precisarem de alguma dica, por favor me contatem.

Enfim, os novos ventos da Ortodontia Digital já estão soprando, e nesse sentido tocaremos nosso barco.

Aguardem os próximos blogs 😉

Um grande abraço.

gabriel@dolcibraghini.com.br